Existe uma frase que eu escuto de formas diferentes, quase toda semana, nas primeiras sessões: "eu sinto que preciso dar conta de tudo". Do trabalho, da casa, dos filhos, dos pais, de si mesma. E o mais comum é que essa mulher nem perceba isso como um problema — ela já naturalizou que é assim que a vida funciona.

De onde vem essa cobrança

Autocobrança não nasce do nada. Muitas vezes vem de um histórico em que "dar conta" foi a forma de garantir aprovação, evitar conflito ou se sentir digna de ficar num lugar, numa relação, num espaço. Com o tempo, isso deixa de ser uma escolha consciente e se torna um piloto automático — você se cobra mesmo quando ninguém está cobrando.

O custo que passa despercebido

O problema não é ter responsabilidades. É viver numa exigência constante de que tudo precisa estar impecável, o tempo todo, sem espaço para erro. Esse tipo de tensão sustentada tem um preço: cansaço que o sono não resolve, irritabilidade, dificuldade de relaxar mesmo quando não há nada "errado" acontecendo.

"Ser você mesma é o que te faz poderosa — não a quantidade de coisas que você consegue carregar."

O primeiro movimento é olhar, não resolver

Eu costumo dizer que não é preciso ter uma solução pronta para começar. O primeiro passo é simplesmente admitir, para si mesma, que esse padrão existe e que ele tem um custo. A partir daí, dá para trabalhar a raiz emocional dessa cobrança — muitas vezes ligada a memórias antigas — em vez de só tentar "gerenciar melhor a rotina".

Próximo passo

Se você se reconheceu neste texto

Talvez seja hora de olhar para isso com mais profundidade — e você não precisa fazer isso sozinha.

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